Paixão é uma fogueira acesa ardendo no corpo e na alma... Fogos de artifício iluminando o céu, celebrando a chegada de um novo começo ! Acontece em qualquer tempo da vida e é sentida de forma semelhante em todas as idades.
Paixão é energia libidinal manifesta no corpo em forma de desejo, na mente em forma de posse, no coração em forma de esperança de amor eterno. Os apaixonados vivem o sonho do amor romântico perfeito, do “felizes para sempre” sem absolutamente nada que possa macular esse sonho, navegam tranqüilos no universo paralelo da ilusão e da fantasia. Por todas essas razões, a paixão é bem característica da adolescência, tempo da descoberta do amor sensual e dos prazeres da libido, fazendo vibrar nas células toda a ansiedade do amanhã.
Força de vida e de morte, a paixão também provoca sofrimento. Ciúmes... Medo da perda... Dependência do outro... A falta dela, após experimentar seus encantos e venenos, cava um buraco negro e vazio no peito e nada é capaz de preencher. Por vezes um longo período de depressão e/ou ansiedade. Outras vezes, uma profunda saudade.
Diz a psicologia que não nos apaixonamos pela outra pessoa, mas sim pelo que ela nos faz sentir. Projetamos no ser amado todos os nossos sonhos, nossas melhores qualidades e expectativas, tudo que temos e queremos de bom. Então introjetamos deste ser, aquilo que projetamos nele, só vemos o que queremos ver, a beleza, o carinho, o ideal, o sonho...
Já observaram como a pessoa apaixonada fica mais bonita ? Com um brilho intenso nos olhos, sorriso permanente entre suspiros que denunciam um estado de graça quase divino. Torna-se amável, generosa, de bem com a vida! Tem disposição para o trabalho e para o lazer e faz isso tudo com prazer?
Que delicia estar apaixonada! Estimula a criatividade, provoca a inspiração, brotam palavras de amor e poesia. Cânticos ecoam nos labirintos harmonizando a dança dos corpos no encontro das almas...
Paixão é braseiro em chamas queimando a razão ! Tirando o chão, roubando-nos de nós. Estudos científicos demonstram que a paixão é um ‘enlouquecimento’, é quase uma doença, uma obsessão.
Mas passa. Consome-se em si mesma. Transforma-se.
Pode transformar-se em decepção, em mágoas ou raiva, na rejeição pode transformar-se em ódio e desejo de vingança, mas pode também virar indiferença e depois de um tempo ser esquecida.
Outra possibilidade é transformar-se em amor genuíno e sensual. Retiradas as projeções de nossas expectativas sobre o ser amado, podemos vê-lo exatamente como ele é, contemplar o outro com todas as suas nuances e verdades, sem lentes que o deformam, sem espelhos refletindo nossa própria imagem alterada.
AMOR e PAIXÃO são coisas bem diferentes, mas as confundimos o tempo todo, e por conta desta confusão, nossa alma sofre, desorganizando nossa emoção.
Paixão pede sexualidade, mantém o desejo sexual sempre em alta. Esta é a função da paixão na preservação da espécie, garantir o desejo que provoca o ato da criação da vida! Sem desejo não há ereção, não há orgasmo, não há entrega dos corpos e desejo de perpetuação. Nesse aspecto o ciúmes , as brigas, as breves separações têm o papel de reacender a paixão frente à ameaça da perda do objeto amado. É também a falta de desejo o maior problema nas disfunções sexuais tanto masculinas quanto femininas.
A paixão e o sexo nos dão sensações de muito prazer e forte emoção, mas não nos promovem felicidade. O sentimento amoroso é que nos ilumina a alma e aquece o coração com sonhos de eternidade! É o AMOR para toda a vida que buscamos para nos trazer segurança e conforto à alma, base para nossa idealizada felicidade.
A PAIXÃO não sobrevive, com a mesma pessoa, sem o AMOR, ela tem prazo de validade. Muitas vezes termina junto com o orgasmo.
O AMOR permite que muitas vezes a fogueira da PAIXÃO faça arder novamente, no mesmo coração, todo o desejo de manter-se em profunda união com a pessoa amada, o sexo reveste-se do sagrado e a intimidade e cumplicidade na fusão dos corpos, promove um prazer que vai além dos sentidos... Depois do orgasmo, o carinho, os olhos nos olhos, os corações batendo juntos, o sorriso de profunda gratidão...
O AMOR quer PAZ mas pede PAIXÃO!
quarta-feira, 18 de novembro de 2009
quarta-feira, 11 de novembro de 2009
A ENERGIA DA CRIAÇÃO
A Libido é a energia mais poderosa que atua no instinto do ser humano. É a energia de vida, de criação, a energia sexual do desejo que garante a atração entre macho e fêmea, e assim, a preservação da espécie. Esse instinto de preservação, presente em todos os animais, é também responsável pela sobrevivência e defesa da vida na terra.
Todos sabemos que na Pré-história as relações sexuais humanas seguiam as leis naturais que regiam o instinto de todos os animais, porém, por nascerem e permanecerem por muito mais tempo frágeis e dependentes de cuidados, os humanos foram construindo suas comunidades onde o modo de vida priorizava a garantia da sobrevivência. As mulheres cuidavam da prole e com sua receptividade sexual através da copulação, mantinham seus homens no lar, interessados nos filhos e garantindo, através da caça coletiva dos homens, o suprimento para suas famílias.
Nas sociedades primitivas tanto podia existir a monogamia como a poligamia regular ou ocasional, e até a abstinência sexual enquanto se esperava que o bebê atingisse alguma autonomia. A poligamia era aceita sempre que as comunidades precisassem se expandir e enquanto houvesse recursos para sustentar as famílias. A monogamia assegurava a concentração dos bens. Nas sociedades contemporâneas a monogamia continua a ser o tipo predominante de união conjugal, mas segundo os estudiosos do assunto, muito mais por questões culturais e econômicas do que biológicas.
De lá para cá, muitas, mas muitas revoluções alteraram o curso deste rio da sexualidade que jorra em nós suas águas de prazer e dor!
Desde a descoberta da paternidade e o fim do matriarcado, desde as pinturas e esculturas gregas enfatizando as delícias do sexo hetero e homossexual, desde o Kama-Sutra e o Jardim das Delícias que, há vinte séculos eram verdadeiros tratados de prazeres sexuais, desde a Inquisição, no fim do século XII, onde o sexo foi considerado ‘obra do demônio’ e cruelmente combatido pela igreja católica, condenando milhares de mulheres à fogueira por serem atraentes e sedutoras e portanto, suspeitas de bruxarias e relações com o diabo, fomos construindo novos paradigmas da sexualidade a cada tempo, chegando ao século XIX onde a repressão sexual atingiu seu auge. O casamento foi legalizado, a prostituição recolheu-se a recintos fechados, a masturbação foi considerada prática anormal e repelida, estátuas e quadros de nus foram cobertos em suas partes íntimas como uma repressão frontal aos desejos sexuais. E então, surge FREUD, médico com uma visão inteiramente nova, tendo como objetivo pedagógico conhecer o desenvolvimento sexual da criança, sua fisiologia e o controle dos nascimentos.
Foi só no início do século XX que as indagações e pesquisas de Freud na área da sexualidade humana, embora ainda fosse um assunto ‘vergonhoso’ de ser tratado, vieram quebrar com o mito do pecado e iluminar a importância da sexualidade nas relações diárias dos indivíduos e no desenvolvimento da personalidade do ser humano.
Graças à grande contribuição e abertura do Mestre Freud, hoje sabemos que a sexualidade nasce e morre com o ser humano, não se inicia na puberdade e não termina com a menopausa ou andropausa. É consenso entre os pesquisadores da área, que as práticas sexuais estão submetidas às influências biológicas, à época e cultura que vivemos, à fase da vida e condições físicas e psicológicas que os indivíduos se encontram.
As mulheres fizeram sua revolução sexual e garantiram seu direito ao orgasmo e à liberdade sexual através dos métodos anticonceptivos e da revolução feminista de igualdade de direitos. Homossexuais saíram às ruas assumindo seu direito de amar seus iguais sem preconceitos. O erotismo hoje é assunto de domínio público e estampa a maioria das propagandas na mídia. As doenças sexualmente transmissíveis são cada vez mais fatais e a performance sexual virou obrigação de todos. No meio dessa profusão de novos valores e conceitos, a insatisfação sexual aumenta, as disfunções sexuais em homens e mulheres aparecem com mais freqüência e a infelicidade conjugal fica ao sabor das ilusões e fantasias que já não cabem mais.
Nossas células e nosso inconsciente coletivo ainda guardam a história dos nossos ancestrais, nossas experiências nas relações amorosas e sensuais traçam os contornos que nos fazem ser o que somos. O AMOR que aprendemos e a PAIXÃO que nos incendeia as entranhas e traz promessa de felicidade à nossa alma, são os ingredientes que dão sentido e valor à vida amorosa sensual de todos nós, seres emocionais.
Por todas essas razões e pela complexidade e abrangência do tema, estarei abordando a sexualidade em uma série de artigos a partir deste, onde pretendi apenas apresentar o cenário onde protagonizamos nossa história atual. Desejando, cada vez mais, oferecer instrumentos à reflexão, ao auto-conhecimento e ao desenvolvimento das plenas possibilidades individuais para uma vida saudável e feliz.
Todos sabemos que na Pré-história as relações sexuais humanas seguiam as leis naturais que regiam o instinto de todos os animais, porém, por nascerem e permanecerem por muito mais tempo frágeis e dependentes de cuidados, os humanos foram construindo suas comunidades onde o modo de vida priorizava a garantia da sobrevivência. As mulheres cuidavam da prole e com sua receptividade sexual através da copulação, mantinham seus homens no lar, interessados nos filhos e garantindo, através da caça coletiva dos homens, o suprimento para suas famílias.
Nas sociedades primitivas tanto podia existir a monogamia como a poligamia regular ou ocasional, e até a abstinência sexual enquanto se esperava que o bebê atingisse alguma autonomia. A poligamia era aceita sempre que as comunidades precisassem se expandir e enquanto houvesse recursos para sustentar as famílias. A monogamia assegurava a concentração dos bens. Nas sociedades contemporâneas a monogamia continua a ser o tipo predominante de união conjugal, mas segundo os estudiosos do assunto, muito mais por questões culturais e econômicas do que biológicas.
De lá para cá, muitas, mas muitas revoluções alteraram o curso deste rio da sexualidade que jorra em nós suas águas de prazer e dor!
Desde a descoberta da paternidade e o fim do matriarcado, desde as pinturas e esculturas gregas enfatizando as delícias do sexo hetero e homossexual, desde o Kama-Sutra e o Jardim das Delícias que, há vinte séculos eram verdadeiros tratados de prazeres sexuais, desde a Inquisição, no fim do século XII, onde o sexo foi considerado ‘obra do demônio’ e cruelmente combatido pela igreja católica, condenando milhares de mulheres à fogueira por serem atraentes e sedutoras e portanto, suspeitas de bruxarias e relações com o diabo, fomos construindo novos paradigmas da sexualidade a cada tempo, chegando ao século XIX onde a repressão sexual atingiu seu auge. O casamento foi legalizado, a prostituição recolheu-se a recintos fechados, a masturbação foi considerada prática anormal e repelida, estátuas e quadros de nus foram cobertos em suas partes íntimas como uma repressão frontal aos desejos sexuais. E então, surge FREUD, médico com uma visão inteiramente nova, tendo como objetivo pedagógico conhecer o desenvolvimento sexual da criança, sua fisiologia e o controle dos nascimentos.
Foi só no início do século XX que as indagações e pesquisas de Freud na área da sexualidade humana, embora ainda fosse um assunto ‘vergonhoso’ de ser tratado, vieram quebrar com o mito do pecado e iluminar a importância da sexualidade nas relações diárias dos indivíduos e no desenvolvimento da personalidade do ser humano.
Graças à grande contribuição e abertura do Mestre Freud, hoje sabemos que a sexualidade nasce e morre com o ser humano, não se inicia na puberdade e não termina com a menopausa ou andropausa. É consenso entre os pesquisadores da área, que as práticas sexuais estão submetidas às influências biológicas, à época e cultura que vivemos, à fase da vida e condições físicas e psicológicas que os indivíduos se encontram.
As mulheres fizeram sua revolução sexual e garantiram seu direito ao orgasmo e à liberdade sexual através dos métodos anticonceptivos e da revolução feminista de igualdade de direitos. Homossexuais saíram às ruas assumindo seu direito de amar seus iguais sem preconceitos. O erotismo hoje é assunto de domínio público e estampa a maioria das propagandas na mídia. As doenças sexualmente transmissíveis são cada vez mais fatais e a performance sexual virou obrigação de todos. No meio dessa profusão de novos valores e conceitos, a insatisfação sexual aumenta, as disfunções sexuais em homens e mulheres aparecem com mais freqüência e a infelicidade conjugal fica ao sabor das ilusões e fantasias que já não cabem mais.
Nossas células e nosso inconsciente coletivo ainda guardam a história dos nossos ancestrais, nossas experiências nas relações amorosas e sensuais traçam os contornos que nos fazem ser o que somos. O AMOR que aprendemos e a PAIXÃO que nos incendeia as entranhas e traz promessa de felicidade à nossa alma, são os ingredientes que dão sentido e valor à vida amorosa sensual de todos nós, seres emocionais.
Por todas essas razões e pela complexidade e abrangência do tema, estarei abordando a sexualidade em uma série de artigos a partir deste, onde pretendi apenas apresentar o cenário onde protagonizamos nossa história atual. Desejando, cada vez mais, oferecer instrumentos à reflexão, ao auto-conhecimento e ao desenvolvimento das plenas possibilidades individuais para uma vida saudável e feliz.
segunda-feira, 2 de novembro de 2009
AS DORES DAS PERDAS
Morte não é o contrário de vida, é apenas um dos aspectos dela. Opostos são nascer e morrer. A VIDA se faz desta seqüencia interminável de nascimento, morte e renascimento.
Apesar de sabermos que a única coisa certa na vida é que tudo que nasce, morre um dia, ainda sentimos, diante da morte, as emoções mais doloridas que podemos experimentar. Tememos o desconhecido, tememos a escuridão e a solidão, temos medo de sentir medo... Medo da morte de quem amamos, do abandono e da saudade que a ausência faz lembrar, da dor insuportável da separação e da perda!
Nossas células guardam a memória de todas as separações que vivemos ao longo da vida, nossa alma chora enquanto nosso ego se dilui quando voltamos a ser aquela criança que só é plena em simbiose com a mãe, na bem-aventurança oceânica do útero materno.
O parto é a primeira separação que experimentamos, quando nascemos para a vida externa estamos perdendo o paraíso da segurança e da união com a mãe. Nascemos dependentes dela para nossa sobrevivência e bem estar, a proximidade e o vínculo afetivo são a base de sustentação de todo o nosso desenvolvimento emocional. Transferiremos às nossas relações futuras os mesmos sentimentos, medos e expectativas que vivenciamos na conexão primordial com a nossa mãe. Separações graves no início da vida deixam sérias cicatrizes emocionais porque afetam profundamente esta conexão humana essencial que nos ensina que somos dignos de sermos amados. É o elo mãe-filho que nos ensina a amar.
Mas, naturalmente tem que haver as separações nos primeiros anos de vida, mães e filhos devem ter suas vidas independentes também uns dos outros para o crescimento e fortalecimento de ambos, e sem dúvida produzirão tristeza e dor. Mas as separações dentro do contexto de um relacionamento afetuoso e estável, dificilmente deixarão cicatrizes no cérebro das crianças. Mães que trabalham, viajam, estudam, podem estabelecer um relacionamento amoroso, confiante e harmonioso com seus filhos. Quando a separação põe em perigo aquela ligação primeira, torna-se difícil criar confiança, adquirir segurança e a convicção de que durante a nossa vida encontraremos – e merecemos encontrar – pessoas que satisfaçam as nossas necessidades. E quando essas primeiras conexões são instáveis, desfeitas ou mesmo prejudicadas, podemos transferir essa experiência para aquilo que esperamos dos nossos amigos, nossos filhos, nosso companheiro amoroso e até para sócios profissionais.
Se estamos sempre esperando o abandono, ficamos desesperados, sentimos que sem o outro, não somos nada, que sem o amor do outro, morreremos...
Se o que esperamos é a traição, vivemos procurando cada lapso, cada falha que nos comprove a certeza que não podemos mesmo confiar em ninguém.
Quando o que esperamos é a rejeição e a recusa, fazemos exigências excessivas, muitas vezes agressivas, com raiva antecipada por saber que não serão atendidas. Esperando o desapontamento, procuramos garantir que, mais cedo ou mais tarde, seremos mesmo desapontados.
Esta é a infeliz dinâmica da consciência quando tememos, o tempo todo, a perda e a separação. Estabelecemos ‘conexões iradas e ansiosas’ onde frequentemente acabamos provocando aquilo que tanto tememos. Afastamos as pessoas que amamos com a nossa dependência incômoda, cobranças excessivas, carências intermináveis. Com medo da separação, repetimos a nossa história num novo tempo, com novos personagens, num novo cenário, mas com o peso poderoso de um passado esquecido, porem presente na incontrolável ansiedade que é a ‘lembrança’ da perda.
A iminência da perda provoca ansiedade, mas a ansiedade contém a semente da esperança! Quando a perda parece permanente, entramos em desespero, experimentamos a dor e a depressão, nos sentimos abandonados e sozinhos, muitas vezes culpados, desamados, perdidos para sempre...
E é nessa depressão, nessa volta ao silêncio e à vacuidade do SER, que encontramos a grande chance de deixar morrer nossas iras e mágoas, nossas culpas e abandonos, nossas falsas carências de proteção e cuidados, a ilusão de completude através do outro. É a oportunidade de encontrar, no fundo do poço, a FONTE de água pura que sacia e alimenta nossa ALMA, a fonte do AMOR pessoal que faz renascer a cada dia, a ESPERANÇA que sustenta a VIDA, transformando a MORTE em importante PORTAL para o próprio RENASCIMENTO. Desta vez, sendo a MÃE amorosa e generosa de sua CRIANÇA imortal.
Apesar de sabermos que a única coisa certa na vida é que tudo que nasce, morre um dia, ainda sentimos, diante da morte, as emoções mais doloridas que podemos experimentar. Tememos o desconhecido, tememos a escuridão e a solidão, temos medo de sentir medo... Medo da morte de quem amamos, do abandono e da saudade que a ausência faz lembrar, da dor insuportável da separação e da perda!
Nossas células guardam a memória de todas as separações que vivemos ao longo da vida, nossa alma chora enquanto nosso ego se dilui quando voltamos a ser aquela criança que só é plena em simbiose com a mãe, na bem-aventurança oceânica do útero materno.
O parto é a primeira separação que experimentamos, quando nascemos para a vida externa estamos perdendo o paraíso da segurança e da união com a mãe. Nascemos dependentes dela para nossa sobrevivência e bem estar, a proximidade e o vínculo afetivo são a base de sustentação de todo o nosso desenvolvimento emocional. Transferiremos às nossas relações futuras os mesmos sentimentos, medos e expectativas que vivenciamos na conexão primordial com a nossa mãe. Separações graves no início da vida deixam sérias cicatrizes emocionais porque afetam profundamente esta conexão humana essencial que nos ensina que somos dignos de sermos amados. É o elo mãe-filho que nos ensina a amar.
Mas, naturalmente tem que haver as separações nos primeiros anos de vida, mães e filhos devem ter suas vidas independentes também uns dos outros para o crescimento e fortalecimento de ambos, e sem dúvida produzirão tristeza e dor. Mas as separações dentro do contexto de um relacionamento afetuoso e estável, dificilmente deixarão cicatrizes no cérebro das crianças. Mães que trabalham, viajam, estudam, podem estabelecer um relacionamento amoroso, confiante e harmonioso com seus filhos. Quando a separação põe em perigo aquela ligação primeira, torna-se difícil criar confiança, adquirir segurança e a convicção de que durante a nossa vida encontraremos – e merecemos encontrar – pessoas que satisfaçam as nossas necessidades. E quando essas primeiras conexões são instáveis, desfeitas ou mesmo prejudicadas, podemos transferir essa experiência para aquilo que esperamos dos nossos amigos, nossos filhos, nosso companheiro amoroso e até para sócios profissionais.
Se estamos sempre esperando o abandono, ficamos desesperados, sentimos que sem o outro, não somos nada, que sem o amor do outro, morreremos...
Se o que esperamos é a traição, vivemos procurando cada lapso, cada falha que nos comprove a certeza que não podemos mesmo confiar em ninguém.
Quando o que esperamos é a rejeição e a recusa, fazemos exigências excessivas, muitas vezes agressivas, com raiva antecipada por saber que não serão atendidas. Esperando o desapontamento, procuramos garantir que, mais cedo ou mais tarde, seremos mesmo desapontados.
Esta é a infeliz dinâmica da consciência quando tememos, o tempo todo, a perda e a separação. Estabelecemos ‘conexões iradas e ansiosas’ onde frequentemente acabamos provocando aquilo que tanto tememos. Afastamos as pessoas que amamos com a nossa dependência incômoda, cobranças excessivas, carências intermináveis. Com medo da separação, repetimos a nossa história num novo tempo, com novos personagens, num novo cenário, mas com o peso poderoso de um passado esquecido, porem presente na incontrolável ansiedade que é a ‘lembrança’ da perda.
A iminência da perda provoca ansiedade, mas a ansiedade contém a semente da esperança! Quando a perda parece permanente, entramos em desespero, experimentamos a dor e a depressão, nos sentimos abandonados e sozinhos, muitas vezes culpados, desamados, perdidos para sempre...
E é nessa depressão, nessa volta ao silêncio e à vacuidade do SER, que encontramos a grande chance de deixar morrer nossas iras e mágoas, nossas culpas e abandonos, nossas falsas carências de proteção e cuidados, a ilusão de completude através do outro. É a oportunidade de encontrar, no fundo do poço, a FONTE de água pura que sacia e alimenta nossa ALMA, a fonte do AMOR pessoal que faz renascer a cada dia, a ESPERANÇA que sustenta a VIDA, transformando a MORTE em importante PORTAL para o próprio RENASCIMENTO. Desta vez, sendo a MÃE amorosa e generosa de sua CRIANÇA imortal.
segunda-feira, 26 de outubro de 2009
ENVELHECER COM JUVENTUDE
A gente nunca pensa em envelhecer enquanto é jovem.
A gente sempre acha que ainda é jovem para pensar em envelhecer.
Temos medo... Pavor... Horror só em pensar !
Alguns, não todos, claro!
Conheço inúmeras pessoas que envelhecem magnificamente aceitando e superando as limitações de seu tempo. Pessoas que vão pelo caminho, sempre revendo conceitos e valores, tornando-se menos preconceituosas, menos moralistas, mais flexíveis, que seguem transformando todo o conhecimento de uma vida em sabedoria de viver em equilíbrio consigo mesmas, com os outros e com o universo. Sem julgamentos. Amorosamente acolhendo as imperfeições humanas e proporcionando harmonia ao mundo.
Diz um ditado que morremos como vivemos. Então, temos que nos ocupar de como estamos vivendo e não nos pré-ocupar de como ou quando morreremos.
É isso que faz a diferença, saber que fazemos nossas escolhas.
A expectativa de vida aumentou e o mercado está transbordando de ofertas de como não envelhecer, ou melhor, não desenvolver as doenças da velhice. Estamos cansados de saber sobre a necessidade de dieta equilibrada, exercícios físicos, interesses diversificados para manter os neurônios em atividade, amigos verdadeiros, família solidária, algum lazer, se possível um amor sensual sem conflitos, isso para manter a qualidade de vida na velhice. Tudo isso dá um imenso trabalho! Cuidados constantes, diários, rotineiros.Durante a jornada inteirinha.
Envelhecer com juventude é um grande lance!
Acredito que isso é possível, e para mim significa envelhecer com alegria e entusiasmo pela vida, é estar aberto às novas formas de cultura renovada pelas gerações. Experimentar tudo que a vida oferece dentro das suas condições, conhecer seus limites e fazer deles cercas vivas cultivadas com primaveras num belo jardim. Significa adquirir o direito de fazer arte sem preocupar-se com o sucesso e as críticas, pelo simples prazer de ver as horas passarem descobrindo seus próprios traços, suas cores, sua poética de expressão na vida.
Ir de encontro ao EU maior que nos habita...
Envelhecer com juventude é cultivar o amor incondicional a serviço do outro como instrumento de transformação do mundo. Ensinar as crianças e os jovens o valor de servir com amor a toda a humanidade. Ser revolucionário na sua linguagem de paz.
Envelhecer com juventude é transcender as aparências e as limitações e penetrar na alma da vida, no seu verdadeiro sentido, nas esferas mais sutis da consciência do eterno mistério da existência. Ter juventude é caminhar como quem dança, sonhar como criança e amar, amar e amar...
A gente sempre acha que ainda é jovem para pensar em envelhecer.
Temos medo... Pavor... Horror só em pensar !
Alguns, não todos, claro!
Conheço inúmeras pessoas que envelhecem magnificamente aceitando e superando as limitações de seu tempo. Pessoas que vão pelo caminho, sempre revendo conceitos e valores, tornando-se menos preconceituosas, menos moralistas, mais flexíveis, que seguem transformando todo o conhecimento de uma vida em sabedoria de viver em equilíbrio consigo mesmas, com os outros e com o universo. Sem julgamentos. Amorosamente acolhendo as imperfeições humanas e proporcionando harmonia ao mundo.
Diz um ditado que morremos como vivemos. Então, temos que nos ocupar de como estamos vivendo e não nos pré-ocupar de como ou quando morreremos.
É isso que faz a diferença, saber que fazemos nossas escolhas.
A expectativa de vida aumentou e o mercado está transbordando de ofertas de como não envelhecer, ou melhor, não desenvolver as doenças da velhice. Estamos cansados de saber sobre a necessidade de dieta equilibrada, exercícios físicos, interesses diversificados para manter os neurônios em atividade, amigos verdadeiros, família solidária, algum lazer, se possível um amor sensual sem conflitos, isso para manter a qualidade de vida na velhice. Tudo isso dá um imenso trabalho! Cuidados constantes, diários, rotineiros.Durante a jornada inteirinha.
Envelhecer com juventude é um grande lance!
Acredito que isso é possível, e para mim significa envelhecer com alegria e entusiasmo pela vida, é estar aberto às novas formas de cultura renovada pelas gerações. Experimentar tudo que a vida oferece dentro das suas condições, conhecer seus limites e fazer deles cercas vivas cultivadas com primaveras num belo jardim. Significa adquirir o direito de fazer arte sem preocupar-se com o sucesso e as críticas, pelo simples prazer de ver as horas passarem descobrindo seus próprios traços, suas cores, sua poética de expressão na vida.
Ir de encontro ao EU maior que nos habita...
Envelhecer com juventude é cultivar o amor incondicional a serviço do outro como instrumento de transformação do mundo. Ensinar as crianças e os jovens o valor de servir com amor a toda a humanidade. Ser revolucionário na sua linguagem de paz.
Envelhecer com juventude é transcender as aparências e as limitações e penetrar na alma da vida, no seu verdadeiro sentido, nas esferas mais sutis da consciência do eterno mistério da existência. Ter juventude é caminhar como quem dança, sonhar como criança e amar, amar e amar...
sábado, 17 de outubro de 2009
VIVA A PRÔ!
Ainda posso lembrar-me, com certa nitidez, do primeiro dia em que fui à escola para início da alfabetização. Eu tinha seis aninhos e muitas expectativas. Não lembro bem quem segurava minha mão até a porta da escola, mas jamais esquecerei o olhar doce e o sorriso cheio de ternura da minha querida professora, dona Ana Aparecida.
Lembro-me da minha timidez diante daquele mundo novo, da sensação de insegurança nos primeiros dias de aula, mas sempre, sempre aquele olhar de aceitação e a paciência carinhosa com que minha professora corrigia meus erros, chamava a atenção quando necessário e elogiava os acertos fazendo-me sentir aprovada e inteligente, encorajava-me a seguir em frente com a certeza de conseguir!
Este momento da vida de toda criança é sempre mágico e cheio de expectativas, como tal, causa ansiedade e excitação pela novidade e desafios. A primeira experiência de vida escolar, os primeiros anos da educação infantil e ensino fundamental são de vital importância na construção do vínculo que o aluno terá com todo seu processo de aprendizagem e com a escola. Se o vínculo for positivo, baseado no respeito às diferenças, na aceitação das dificuldades, no carinho e afeto na relação pessoal, então a criança poderá sentir-se segura e motivada a aprender e corresponder às expectativas que os adultos têm sobre ela.
A construção das redes neurais, com a quais a criança passará a responder aos estímulos da educação formal, são estabelecidas muito mais através das emoções que acompanham o aprendizado dos símbolos do que com a lógica e a razão. As experiências vividas durante esses anos ajudam a formar nosso bem-estar emocional. A negligência dos pais, a rejeição materna, o excesso de rigidez e traumas precoces, podem mudar o cérebro das crianças para sempre, afetando as reações emocionais frente a eventos estressantes e predispondo a transtornos de ansiedade e depressão. Aos seis anos, o cérebro atinge 95% do peso que terá quando q pessoa estiver adulta e o ápice do consumo energético. Por volta dessa idade a criança começa a aplicar a lógica e entender seus próprios processos de pensamento. O cérebro continua a crescer, fazendo e quebrando conexões neurais com as experiências, até que, depois de um pico de produção de massa cinzenta, aos 11 anos em meninas e 14 em meninos, a puberdade chegará e mudará tudo novamente.
Ufa! Esse é o universo em pleno desenvolvimento e construção de si mesmo que as professoras e professores recebem para atuar de forma direta, sistemática, cotidianamente, com a responsabilidade de desenvolver os processos cognitivos e formar cidadãos para o mundo. Tarefa delicada e complexa uma vez que quem educa, também é um universo emocional com sua história de vida, seus valores e conceitos, seu temperamento e personalidade, seus ideais, expectativas e frustrações.
Quero aqui, prestar minha amorosa homenagem à todos os educadores e educadoras, pelo reconhecimento de sua importante missão na construção de um mundo muito melhor. Sei que a maioria de vocês tem se sentido abandonada pelos pais da instituição a quem se subordinam, negligenciados em sua própria casa, desrespeitados por alguns alunos e sem o reconhecimento e a participação de boa parte das famílias que lhes confiam a educação dos filhos. Sei também que a extensa jornada de trabalho que precisam cumprir para que o salário possa suprir suas necessidades, rouba-lhes o tempo de convivência familiar, o lazer, o relaxamento necessário à boa condição física e mental para enfrentar o dia a dia com muitas crianças transbordantes de energia e carentes de atenção e estímulos.
Não posso deixar de ressaltar a enorme contribuição que vocês, professoras e professores, mulheres e homens que desempenham sua profissão com AMOR e ÉTICA, dão à vida das pessoas que passam pelas suas mãos, pelo seu olhar, pelo seu afeto e encontram em vocês a segurança e o estímulo para desbravar o mundo que as circundam, para expandir a consciência sobre si mesmas, construindo sólidos princípios para o desenvolvimento de um SER humano ÍNTEGRO e PLENO que todos nós queremos ser.
Resistam à todas as intempéries, estar à serviço da vida é a grande missão de todos nós, e quando o nosso trabalho nos dá a oportunidade de desempenhar esta missão, devemos honrar o privilégio de receber esta GRAÇA colocando à disposição do outro o que temos de melhor em nós, a generosidade da afetividade que transborda dos corações daqueles que encontram no amor, o sentido maior de sua existência e reconhecem no outro o seu manancial de evolução pessoal a caminho da plenitude e da felicidade.
Lembro-me da minha timidez diante daquele mundo novo, da sensação de insegurança nos primeiros dias de aula, mas sempre, sempre aquele olhar de aceitação e a paciência carinhosa com que minha professora corrigia meus erros, chamava a atenção quando necessário e elogiava os acertos fazendo-me sentir aprovada e inteligente, encorajava-me a seguir em frente com a certeza de conseguir!
Este momento da vida de toda criança é sempre mágico e cheio de expectativas, como tal, causa ansiedade e excitação pela novidade e desafios. A primeira experiência de vida escolar, os primeiros anos da educação infantil e ensino fundamental são de vital importância na construção do vínculo que o aluno terá com todo seu processo de aprendizagem e com a escola. Se o vínculo for positivo, baseado no respeito às diferenças, na aceitação das dificuldades, no carinho e afeto na relação pessoal, então a criança poderá sentir-se segura e motivada a aprender e corresponder às expectativas que os adultos têm sobre ela.
A construção das redes neurais, com a quais a criança passará a responder aos estímulos da educação formal, são estabelecidas muito mais através das emoções que acompanham o aprendizado dos símbolos do que com a lógica e a razão. As experiências vividas durante esses anos ajudam a formar nosso bem-estar emocional. A negligência dos pais, a rejeição materna, o excesso de rigidez e traumas precoces, podem mudar o cérebro das crianças para sempre, afetando as reações emocionais frente a eventos estressantes e predispondo a transtornos de ansiedade e depressão. Aos seis anos, o cérebro atinge 95% do peso que terá quando q pessoa estiver adulta e o ápice do consumo energético. Por volta dessa idade a criança começa a aplicar a lógica e entender seus próprios processos de pensamento. O cérebro continua a crescer, fazendo e quebrando conexões neurais com as experiências, até que, depois de um pico de produção de massa cinzenta, aos 11 anos em meninas e 14 em meninos, a puberdade chegará e mudará tudo novamente.
Ufa! Esse é o universo em pleno desenvolvimento e construção de si mesmo que as professoras e professores recebem para atuar de forma direta, sistemática, cotidianamente, com a responsabilidade de desenvolver os processos cognitivos e formar cidadãos para o mundo. Tarefa delicada e complexa uma vez que quem educa, também é um universo emocional com sua história de vida, seus valores e conceitos, seu temperamento e personalidade, seus ideais, expectativas e frustrações.
Quero aqui, prestar minha amorosa homenagem à todos os educadores e educadoras, pelo reconhecimento de sua importante missão na construção de um mundo muito melhor. Sei que a maioria de vocês tem se sentido abandonada pelos pais da instituição a quem se subordinam, negligenciados em sua própria casa, desrespeitados por alguns alunos e sem o reconhecimento e a participação de boa parte das famílias que lhes confiam a educação dos filhos. Sei também que a extensa jornada de trabalho que precisam cumprir para que o salário possa suprir suas necessidades, rouba-lhes o tempo de convivência familiar, o lazer, o relaxamento necessário à boa condição física e mental para enfrentar o dia a dia com muitas crianças transbordantes de energia e carentes de atenção e estímulos.
Não posso deixar de ressaltar a enorme contribuição que vocês, professoras e professores, mulheres e homens que desempenham sua profissão com AMOR e ÉTICA, dão à vida das pessoas que passam pelas suas mãos, pelo seu olhar, pelo seu afeto e encontram em vocês a segurança e o estímulo para desbravar o mundo que as circundam, para expandir a consciência sobre si mesmas, construindo sólidos princípios para o desenvolvimento de um SER humano ÍNTEGRO e PLENO que todos nós queremos ser.
Resistam à todas as intempéries, estar à serviço da vida é a grande missão de todos nós, e quando o nosso trabalho nos dá a oportunidade de desempenhar esta missão, devemos honrar o privilégio de receber esta GRAÇA colocando à disposição do outro o que temos de melhor em nós, a generosidade da afetividade que transborda dos corações daqueles que encontram no amor, o sentido maior de sua existência e reconhecem no outro o seu manancial de evolução pessoal a caminho da plenitude e da felicidade.
sábado, 10 de outubro de 2009
DESAPEGAR... NÃO É FÁCIL.
Do seio da mãe,
Do colo querido,
Daquela chupeta,
Do brinquedo favorito,
Da infância, dos medos,
Das ilusões da vida...
Do amor que se foi
E até da ferida.
Desapegar... Não é fácil.
Das mágoas sentidas nas decepções
Das expectativas jamais cumpridas,
Da raiva que queima a alma,
Exige vingança, mata a calma,
Da lágrima que briga
Com os olhos cansados...
Desapegar... Não é fácil.
Do veneno que circula nas veias,
Das lembranças enoveladas,
De pensamentos viciados
Em inúteis padrões ultrapassados,
De um passado que já era
E mesmo assim
Desapegar ... Não é fácil.
Pois isso tudo
É só o que temos
Quando vivemos de apegos.
Com medo da escassez
Acumulamos culpas em segredo,
Crenças e valores sem sentido
Amores entorpecidos.
Juntamos o que cultivamos
Para preencher o espaço
Que o amor deixou vazio...
Um dos conceitos que mais me instiga a refletir sobre os valores que estão ancorando minha vida e minhas escolhas conscientes e inconscientes, nos últimos tempos, é o APEGO. Esta reflexão começou quando conheci as tradições espirituais orientais, mas sobretudo quando confirmei na minha prática de trabalho e na própria existência, tudo que essa filosofia de vida nos ensina sobre esse valor enraizado em nossa cultura. O TER como fonte maior de satisfação e realização.
Na verdade acreditamos que teremos segurança e felicidade se pudermos reter aquilo que nos dá a sensação de plenitude. As pessoas que amamos têm que nos pertencer, as nossas idéias têm que ser verdades absolutas, os bens materiais têm que estar sob nossa posse, os momentos encantados da vida têm que durar para sempre. Nos apegamos não apenas ao que é bom, mas também fazemos isso com as mágoas, raivas, fatos que já desapareceram no tempo. Nos apegamos à fantasias e ilusões, à idealizações que jamais se cumprirão, nos apegamos ao velho e conhecido mundo do passado como se ele fosse tudo que temos e teremos.
O apego gera o medo da perda, do abandono, da solidão, da escassez, enfim, todo o sofrimento humano. Sabemos da impermanência de todas as coisas, da roda da vida que gira e gira traçando novos caminhos enquanto os percorremos. Tudo passa como a paisagem que vamos deixando para trás, como os sonhos da infância e as paixões da adolescência. Assim também devemos deixar no caminho as decepções, desapegar das ilusões e das expectativas que podem nos frustrar, dos conceitos que já não fazem mais sentido no atual momento da nossa vida e de todo o lixo emocional que acumulamos ao longo dos nossos dias. Desapegar das culpas que mantemos a nos punir e dos valores que não servem mais à nossa felicidade.
O que permanece pela eternidade é só o AMOR, todo o resto é efêmero e fugaz.
Quando amamos verdadeiramente, deixamos fluir a vida, e a liberdade é a condição que conquistamos com o desapego, porque sabemos que fazemos parte desse imenso oceano cósmico de amor universal onde somos UM e jamais estaremos sós.
Do colo querido,
Daquela chupeta,
Do brinquedo favorito,
Da infância, dos medos,
Das ilusões da vida...
Do amor que se foi
E até da ferida.
Desapegar... Não é fácil.
Das mágoas sentidas nas decepções
Das expectativas jamais cumpridas,
Da raiva que queima a alma,
Exige vingança, mata a calma,
Da lágrima que briga
Com os olhos cansados...
Desapegar... Não é fácil.
Do veneno que circula nas veias,
Das lembranças enoveladas,
De pensamentos viciados
Em inúteis padrões ultrapassados,
De um passado que já era
E mesmo assim
Desapegar ... Não é fácil.
Pois isso tudo
É só o que temos
Quando vivemos de apegos.
Com medo da escassez
Acumulamos culpas em segredo,
Crenças e valores sem sentido
Amores entorpecidos.
Juntamos o que cultivamos
Para preencher o espaço
Que o amor deixou vazio...
Um dos conceitos que mais me instiga a refletir sobre os valores que estão ancorando minha vida e minhas escolhas conscientes e inconscientes, nos últimos tempos, é o APEGO. Esta reflexão começou quando conheci as tradições espirituais orientais, mas sobretudo quando confirmei na minha prática de trabalho e na própria existência, tudo que essa filosofia de vida nos ensina sobre esse valor enraizado em nossa cultura. O TER como fonte maior de satisfação e realização.
Na verdade acreditamos que teremos segurança e felicidade se pudermos reter aquilo que nos dá a sensação de plenitude. As pessoas que amamos têm que nos pertencer, as nossas idéias têm que ser verdades absolutas, os bens materiais têm que estar sob nossa posse, os momentos encantados da vida têm que durar para sempre. Nos apegamos não apenas ao que é bom, mas também fazemos isso com as mágoas, raivas, fatos que já desapareceram no tempo. Nos apegamos à fantasias e ilusões, à idealizações que jamais se cumprirão, nos apegamos ao velho e conhecido mundo do passado como se ele fosse tudo que temos e teremos.
O apego gera o medo da perda, do abandono, da solidão, da escassez, enfim, todo o sofrimento humano. Sabemos da impermanência de todas as coisas, da roda da vida que gira e gira traçando novos caminhos enquanto os percorremos. Tudo passa como a paisagem que vamos deixando para trás, como os sonhos da infância e as paixões da adolescência. Assim também devemos deixar no caminho as decepções, desapegar das ilusões e das expectativas que podem nos frustrar, dos conceitos que já não fazem mais sentido no atual momento da nossa vida e de todo o lixo emocional que acumulamos ao longo dos nossos dias. Desapegar das culpas que mantemos a nos punir e dos valores que não servem mais à nossa felicidade.
O que permanece pela eternidade é só o AMOR, todo o resto é efêmero e fugaz.
Quando amamos verdadeiramente, deixamos fluir a vida, e a liberdade é a condição que conquistamos com o desapego, porque sabemos que fazemos parte desse imenso oceano cósmico de amor universal onde somos UM e jamais estaremos sós.
domingo, 27 de setembro de 2009
ESTAÇÕES DA VIDA
A primavera entrou trazendo com ela o vento frio do inverno e a chuva generosa a regar o ventre da Terra. Chegou trazendo a certeza dos brotos e das flores, nutrindo as sementes adormecidas no inverno, lavando a paisagem, ressaltando as cores.
Que se faça PRIMAVERA em nós!
Nossas estações internas também são influenciadas pelas intempéries da existência. Verão é a exuberância das estações, o sol escaldante convida à vida lá fora, a despir-se dos velhos hábitos e banhar-se nas águas da alegria. As férias trazem a sensação da liberdade adiada a cada segunda-feira e prometem sábados e domingos todos os dias.
Quando o sol ilumina nossa alma e a paixão habita nosso cenário, então somos verão e expandimos nosso ser inteiro sem fronteiras na imaginação. É a juventude da vida!
Mas o auge da expansão é o inicio do recolhimento neste universo circular e cíclico. O outono traça o caminho de volta para casa. Devagar, a brisa leve traz o cheiro da fruta madura e a promessa de novas sementes. No outono a vida amadurece e toma consciência de si, atinge sua plenitude e faz sua colheita individual e única, resultado de todas as vivências dos tempos de expansão. È hora de novas escolhas, de internalizar os frutos das experiências e separar as sementes a serem cultivadas no tempo certo, hora de aprender a paciência da espera e a certeza do amanhã.
Inverno é tempo de recolhimento, onde se prepara nova vida, buscamos acolhimento e aconchego no útero possível e hibernamos em nossas cavernas escuras e silenciosas a espera do tempo de despertar. Quando a vida lá fora está fria e cinza, quando a paisagem interna parece estar morta, então, é inverno em nós, o mais profundo encontro com nossa essência dá-se nessa fase do recolhimento, onde nossa centelha divina ilumina as trevas da solidão e abre as portas da esperança!
Agora é primavera! A mais bela das estações, vamos cuidar do nosso jardim?
Pode ser que o jardim das nossas emoções tenha sido um pouco castigado pelas forças da natureza, pode ser que tenha ficado abandonado ou o deixamos em mãos que não o fertilizaram. Pode ser que, mesmo com cuidados e carinho, tenha recebido estilhaços das guerras da humanidade, nosso jardim é só uma parte desse imenso paraíso, tudo que acontece à ele, atinge nosso jardim.
É primavera e o Céu derramou suas Águas abençoando a Terra e os seus Filhos!
Primeiro, limpemos o chão a ser plantado, vamos retirar dele todas as toxinas que podem envenenar nossos brotos: as mágoas, o medo, as culpas, o egoísmo, a raiva, os preconceitos, a inveja, a avareza, a maldade, e tantos outros venenos..
E então é hora de arar o solo com as mãos cheias de humildade e gratidão por tudo que temos e somos. Vamos misturar o húmus da verdade e da coragem a fertilizar a área da imaginação e a nutrir todas as formas de vida com respeito, solidariedade e compaixão.
Agora sim, uma a uma, plantemos as sementes que guardamos nas profundezas do coração, as delicadas flores do perdão, as sempre vivas da alegria, os doces lírios da paz... Plantemos coloridos beijos de ternura e amores-perfeitos sem medo, lilases lavandas cheias de calma e rosas vermelhas transbordantes de paixão. Um gramado de generosidade e arbustos perfumados de suave sedução.
Todos os dias, neste solo fértil cultivado por nossas mãos, derramemos as límpidas águas do AMOR em forma de proteção, para que nada e ninguém destrua as possibilidades de vida contidas nas sementes, para que não sequem os sonhos que dão força de crescimento aos seus brotos e para que nenhuma nuvem negra impeça o Sol de fecundar a vida que explode em beleza homenageando e honrando o seu Criador.
É primavera e nós também vamos florir!
Que se faça PRIMAVERA em nós!
Nossas estações internas também são influenciadas pelas intempéries da existência. Verão é a exuberância das estações, o sol escaldante convida à vida lá fora, a despir-se dos velhos hábitos e banhar-se nas águas da alegria. As férias trazem a sensação da liberdade adiada a cada segunda-feira e prometem sábados e domingos todos os dias.
Quando o sol ilumina nossa alma e a paixão habita nosso cenário, então somos verão e expandimos nosso ser inteiro sem fronteiras na imaginação. É a juventude da vida!
Mas o auge da expansão é o inicio do recolhimento neste universo circular e cíclico. O outono traça o caminho de volta para casa. Devagar, a brisa leve traz o cheiro da fruta madura e a promessa de novas sementes. No outono a vida amadurece e toma consciência de si, atinge sua plenitude e faz sua colheita individual e única, resultado de todas as vivências dos tempos de expansão. È hora de novas escolhas, de internalizar os frutos das experiências e separar as sementes a serem cultivadas no tempo certo, hora de aprender a paciência da espera e a certeza do amanhã.
Inverno é tempo de recolhimento, onde se prepara nova vida, buscamos acolhimento e aconchego no útero possível e hibernamos em nossas cavernas escuras e silenciosas a espera do tempo de despertar. Quando a vida lá fora está fria e cinza, quando a paisagem interna parece estar morta, então, é inverno em nós, o mais profundo encontro com nossa essência dá-se nessa fase do recolhimento, onde nossa centelha divina ilumina as trevas da solidão e abre as portas da esperança!
Agora é primavera! A mais bela das estações, vamos cuidar do nosso jardim?
Pode ser que o jardim das nossas emoções tenha sido um pouco castigado pelas forças da natureza, pode ser que tenha ficado abandonado ou o deixamos em mãos que não o fertilizaram. Pode ser que, mesmo com cuidados e carinho, tenha recebido estilhaços das guerras da humanidade, nosso jardim é só uma parte desse imenso paraíso, tudo que acontece à ele, atinge nosso jardim.
É primavera e o Céu derramou suas Águas abençoando a Terra e os seus Filhos!
Primeiro, limpemos o chão a ser plantado, vamos retirar dele todas as toxinas que podem envenenar nossos brotos: as mágoas, o medo, as culpas, o egoísmo, a raiva, os preconceitos, a inveja, a avareza, a maldade, e tantos outros venenos..
E então é hora de arar o solo com as mãos cheias de humildade e gratidão por tudo que temos e somos. Vamos misturar o húmus da verdade e da coragem a fertilizar a área da imaginação e a nutrir todas as formas de vida com respeito, solidariedade e compaixão.
Agora sim, uma a uma, plantemos as sementes que guardamos nas profundezas do coração, as delicadas flores do perdão, as sempre vivas da alegria, os doces lírios da paz... Plantemos coloridos beijos de ternura e amores-perfeitos sem medo, lilases lavandas cheias de calma e rosas vermelhas transbordantes de paixão. Um gramado de generosidade e arbustos perfumados de suave sedução.
Todos os dias, neste solo fértil cultivado por nossas mãos, derramemos as límpidas águas do AMOR em forma de proteção, para que nada e ninguém destrua as possibilidades de vida contidas nas sementes, para que não sequem os sonhos que dão força de crescimento aos seus brotos e para que nenhuma nuvem negra impeça o Sol de fecundar a vida que explode em beleza homenageando e honrando o seu Criador.
É primavera e nós também vamos florir!
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